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O poder da representação

Representar é reproduzir alguma coisa. Fazê-la exatamente como ela é. Assumir seu lugar, sua identidade e todas as suas características. Deixá-la reconhecível imediatamente.

Ao optar por representar um personagem, o ator não está simplesmente realizando uma exibição pública.

Assumir uma identidade que não é a sua e dar voz ao pensamento de terceiros é uma tarefa árdua. Um advogado representa seu cliente perante o juiz; os políticos representam o povo no congresso... Para isso, eles abrem mão de sua própria identidade e introjetam a do outro... Falam por ele, assumem seu lugar.

Ao escolher representar um papel, o que o ator pretende dizer à sua audiência é o seguinte: Não sou eu quem estou aqui. Não sou eu quem estou falando. Essa não é a minha voz, esse não é o meu corpo.

A representação é antes de tudo uma síntese.  Um elemento é representativo quando consegue reunir nele mesmo tudo o que pertence ao outro... Mais do que isso: É possível conhecer nele toda a infinidade de coisas que estão relacionadas ao que ele representa. 
Se fazemos uma afirmação do tipo “o branco representa a paz”, isso significa que aquela cor reúne tudo o que possa ser entendido como paz. Aquele “simples” branco adquire infinitos significados. Ele deixa de ser branco para passar a ser a paz propriamente dita. Nós até vemos a cor... Mas pensamos em paz! Assim também é o ator quando está no exercício da sua função: Olhamos para ele e vemos sua “pessoa física” mas o que enxergamos é uma cópia perfeita de outra... Um único ser que traz consigo todas as coisas relacionadas com a vida do personagem. Olhamos para ele e já vemos todas as características de quem ou daquilo que ele está representando.

Evidente que não são todos os atores que conseguem chegar a tal grau de perfeição. Para os possuidores desse poder, nada mais justo dizer que eles SABEM REPRESENTAR!

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