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Mostrando postagens com o rótulo Poesias

Meu singular toque de Mídas

Como é de conhecimento de todos (ou quase) o rei Mídas, o tolo soberano de Frigia, ao ter a oportunidade de pedir o que quisesse a Dionísio (o deus) foi tomado de tamanha ganância que fez um dos pedidos mais imbecis possíveis, o que o sarcástico deus concedeu sem titubear, daquele momento em diante tudo que ele tocasse viraria ouro, bem o desenrolar da história é previsível, o néscio monarca não podia nada comer ou beber, taças viravam ouro imediatamente, etc. O irônico é que hoje me vejo com uma espécie de Midas, não transformo tudo em ouro, mas posso transformar muitos sorrisos e esperanças que toco em lágrimas duras e ácidas. Não faço por esporte, ou por nenhum tipo de gozo, mas faço pela mesma ganância estúpida, cegueira egoísta do mítico governante. Mídas nunca aprendeu, e acabou sofrendo as conseqüências. Por vez desejo ter fim semelhante. Agora Fernando Pessoa Deve chamar-se tristeza Deve chamar-se tristeza Isto que não sei que seja Que me inquieta sem surpresa Sau...

Pitanga em pé de amora!?

C onheci acidentalmente um grupo paulista que como bruxos me encantaram! Com um nome muito singular "Pitanga em pé de amora" tem uma marchinha extremamente divertida e músicas de calibre para quem gosta daquele sambinha mas leve. Uma música doce, ao mesmo tempo tradicional e inovadora, infelizmente os vídeos disponíveis no youtube não fazem justiça ao grupo, que quiser escutar de verdade deve procurar sua página no myspace. Vejam , tenho certeza que agradará.

As Aventuras de Tom Bombadil de Tolkien

J. R. R. Tolkien foi escritor, professor de inglês e filólogo britânico do século XX. Sua obra mais famosa, O Senhor dos Anéis, tem repercussão mundial, sejam os livros ou suas adaptações para o cinema. O grande legado de Tolkien é a criatividade. Criou a Terra Média, com suas lendas, reinos, raças e, talvez o menos conhecido e mais impressionante, boa quantidade de línguas para seus personagens, se inspirando nas raízes da língua inglesa. A primeira vista, seus livros parecem infantis e simples. As Aventuras de Tom Bombadil não escapa dessa impressão. Porém, a medida que encaramos a obra dele como um todo, vemos os fios habilmente traçados que sustentam todo seu universo fantástico e nos convidam a um mergulho em sua imaginação. Tom Bombadil é um dos personagens mais intrigantes de Tolkien. Ninguém sabe muito bem o que ele, aparecendo como uma entidade poderosa, mas ao mesmo tempo indiferente da floresta. Apesar do título, ele não é o protagonista deste livro. Na verdade, esse trata ...

Dois rios

Composição: (samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis) O céu está no chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos Como eu fiz também Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer Que os braços sentem E os olhos vêem Que os lábios sejam Dois rios inteiros Sem direção O sol é o pé e a mão O sol é a mãe e o pai Dissolve a escuridão O sol se põe se vai E após se pôr O sol renasce no Japão Eu vi também Só pra poder entender Na voz a vida ouvi dizer Que os braços sentem E os olhos vêem E os lábios beijam Dois rios inteiros Sem direção E o meu lugar é esse Ao lado seu, meu corpo inteiro Dou o meu lugar pois o seu lugar É o meu amor primeiro O dia e a noite as quatro estações Que os braços sentem E os olhos vêem E os lábios Sejam Dois rios inteiros Sem direção O céu está no chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos Como eu fiz também S...

Convite

Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela. Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra. Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou  mistério A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos  a sério. Lya Luft

O QUINTO IMPÉRIO

  Triste de quem vive em casa,  Contente com o seu lar,  Sem que um sonho, no erguer de asa  Faça até mais rubra a brasa  Da lareira a abandonar!   Triste de quem é feliz!  Vive porque a vida dura.  Nada na alma lhe diz  Mais que a lição da raiz  Ter por vida a sepultura.   Eras sobre eras se somem  No tempo que em eras vem.  Ser descontente é ser homem.  Que as forças cegas se domem  Pela visão que a alma tem!   E assim, passados os quatro  Tempos do ser que sonhou,  A terra será teatro  Do dia claro, que no atro  Da erma noite começou.  Grécia, Roma, Cristandade,  Europa — os quatro se vão  Para onde vai toda idade.  Quem vem viver a verdade  Que morreu D. Sebastião?

Tão linda que só espalha sofrimento

SONeTU du orfeu saUm D+ UxXx periGuxXx DeXXaH ViDaH pRAH Qm TEM paixXxAUm...principALMentI qDu 1 luAH SUrGi DI rEpenti i Si DexXxaH Nu CEu...kOmU ESKECiDAh I sI aU LUah...Ki ATuaH DiSVAirADeENHU vEm uNI-Si 1 mUSICAh qq Aih eNTAUm Eh PRECIsU Te KuiDAdu pq DEVi aNdAH pERtU 1 MUlHE 1 MuLhE Ki EH feitAH Di MUSicAH LuAh i sEnTimenTu...I Ki a vidAH nAUm ke...Di TaUM PeRfEiTAH 1 mULhE KI Eh koMU A pRoPriah lUAh: TAUM LinDUxXxah Ki SoH ESpAlHah sOFrImENtu, TAUM xXxEiAH Di pUdor ki vIvi nUAh...... viNicIuxXx Di MorAExXx

A Violência Travestida Fez Seu Trottoir

Engenheiros do Hawaii No ar que se respira, nos gestos mais banais em regras, mandamentos, julgamentos, tribunais na vitória do mais forte, na derrota dos iguais a violência travestida faz seu trottoir Na procura doentia de qualquer prazer Na arquitetura metafisica das catedrais Nas arquibancadas, nas cadeiras, nas gerais a violencia travestida faz seu trottoir na maioria silenciosa, orgulhosa de não ter vontade de gritar, nada pra dizer a violência travestida faz seu trottoir nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal | a violência travestida faz seu trottoir | em anúncios luminosos, lâminas de barbear | armas de brinquedo, medo de brincar | a violência travestida faz seu trottoir no vídeo, idiotice intergaláctica na mídia, na moda, nas farmácias no quarto de dormir, na sala de jantar a morte anda tão viva, a vida anda pra trás é a livre iniciativa, igualdade aos desiguais na hora de dormir, na sala de estar a violência travestida faz seu trottoir uma bala perdida encontra a...

Ode a um dia feliz

Plabo Neruda. Desta vez deixai-me ser feliz, não aconteceu nada a ninguém, não estou em nenhum sítio, acontece somente que sou feliz, de coração plano, quer andando, dormindo ou escrevendo. Que hei-de eu fazer, sou feliz, sou mais vasto do que a erva nas planícies, sinto a pele como uma árvore rugosa, a água em baixo, os pássaros em cima, o mar como um anel à roda da minha cintura, a terra feita de pão e de pedra e o ar cantando como uma guitarra. Ao meu lado na areia tu és areia, cantas e és canto, o mundo é hoje a minha alma, canto e areia, o mundo é hoje a tua boca, deixa-me ser feliz na tua boca e na areia, ser feliz porque se eu respiro é a ti que o devo, ser feliz porque acaricio os teus joelhos e é como se acariciasse a pele azul do céu e a sua frescura. Hoje deixai-me ser feliz sózinho, com todos e ninguém, ser feliz com o ar e a terra, ser feliz, contigo, com a tua boca, ser feliz.

Teu Olhar

(Marcelo Calderazzo) Teu olhar Tua luz Me seduz deais Tua cor, linda assim Teu beijo carmim Fazem de mim Um animal enlouquecido Teu olhar Tua luz Me seduz demais Um dia rapariga Te pego pela vida Te beijo sem fadiga, sem fadiga Do sul ao norte Nos declare sãos.

Noite

O bservo-te!... Teu campo, teu domínio Tua grandeza, tua proporção Causa em mim, um tal fascínio Que me entrego à contemplação... Um oceano negro, salpicado Reluzindo um brilho desigual Em cada ponto teu, que é prateado Há uma incerteza natural Envolve a Terra com simplicidade Interfere no comando da razão Negas ao mundo tua claridade Pois teu segredo, habita a escuridão Os astros, súditos de teu reinado São carícias, em teu revolto manto Inspiram mistérios velados Que chagam a causar-me espanto... Sugere sempre o desconhecido Incita toda a sensibilidade Dominas o rumo de quem foi vencido Pela fraqueza da curiosidade... Causa-me inquietação Quase um medo de te conhecer Receio tua força, tua solidão Quando te afastas ao amanhecer... Céu... Infinito... Paraíso! Quem sabe o que és realmente Permaneces num ato conciso Acolhendo este planeta incoerente... Meus olhos brilham ao observar-te Porto de almas infantis! Meu coração deseja revelar-te O quanto na verdade, me fazes feliz... Cill

Amar

Que pode uma criatura senão, senão entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. Carlos Drummond de Andrade

OS HOMENS OCOS

Nós somos os homens ocos Os homens empalhados Uns nos outros amparados O elmo cheio de nada. Ai de nós! Nossas vozes dessecadas, Quando juntos sussurramos, São quietas e inexpressas Como o vento na relva seca Ou pés de ratos sobre cacos Em nossa adega evaporada Fôrma sem forma, sombra sem cor Força paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaram De olhos retos, para o outro reino da morte Nos recordam - se o fazem - não como violentas Almas danadas, mas apenas Como os homens ocos Os homens empalhados. II Os olhos que temo encontrar em sonhos No reino de sonho da morte Estes não aparecem: Lá, os olhos são como a lâmina Do sol nos ossos de uma coluna Lá, uma árvore brande os ramos E as vozes estão no frêmito Do vento que está cantando Mais distantes e solenes Que uma estrela agonizante. Que eu demais não me aproxime Do reino de sonho da morte Que eu possa trajar ainda Esses tácitos disfarces Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas E comportar-me num campo Como o vento se co...

O Rei!!!!

Love Me Tender (tradução) Me ame com ternura Me ame com ternura, Me ame doce, Nunca me deixe ir, Você fêz minha vida completa, E eu te amo assim. Me ame com ternura, Me ame verdadeiro, Com todos os meus sonhos cumpridos, Para minha querida eu te amo, E eu sempre te desejo. Me ame com ternura, Me ame por muito tempo, Faça exame do seu coração, Para ele há que eu pertenço, E nós nunca iremos partir. Me ame com ternura, Me ame caro, Me diz que você é minha, E eu serei seu por todos os anos, Até o fim do tempo...

CANÇÕES 1

Venham ver a maravilha Do seu corpo juvenil! O sol encharca-o de luz E o mar, de rojos, tem rasgos De luxúria provocante Avanço. Procuro olhá-lo Mais de perto... A luz é tanta Que tudo em volta cintila Num clarão largo e difuso... Anda nu - saltando e rindo, E sobre a areia da praia Parece um astro fulgindo. Procuro olhá-lo; - e os seus olhos, Amedrontados, recusam, Fixar os meus... - Entristeço... Mas nesse lugar fugidio Pude ver a eternidade Do beijo que eu não mereço... António Botto

A Volta do Homem de Lata

Um pouco diferente é verdade.

Viva Juan, Viva Aguinaldo

Lá temos o Rei da Espanha Quem sabe da primeira vez ele não leva uma porrada na cara que é o que merece! E aqui o Rei das Novelas COM A BOCA CHEIA DE FORMIGAS Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero “melhor reportagem individual”, com uma matéria intitulada “Pobres Homens de Ouro”. Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos. Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expr...

Os caminhos estão cheios de tentações

  Os caminhos estão cheios de tentações. Os nossos pés arrastam-se na areia lúbrica... Oh! tomemos os barcos das nuvens! Enfunemos as velas dos ventos! Os nossos lábios tensos incomodam-nos como estranhas mordaças. Vamos! vamos lançar no espaço - alto, cada vez mais alto! - a rede das estrelas... Mas vem da terra, sobe da terra, insistente, pesado, Um cheiro quente de cabelos... A Esfinge mia como uma gata. E o seu grito agudo agita a insônia dos adolescentes pálidos, O sono febril das virgens nos seus leitos. De que nos serve agora o Cristo do Corcovado?! Há um longo, um arquejante frêmito nas palmeiras, em torno... A Noite negra, demoradamente, Aperta o mundo entre os seus joelhos. [Mario Quintana; Aprendiz de Feiticeiro, 1950]

O Homem de Três Mil Anos

Aqueles meus leitores mais atentos já preceberam a belíssima citação de Goethe que uso na abertura do Blog " Quem, de três milênios, não é capaz de se dar conta, vive na ignorância, na sombra, a mercê dos dias, do tempo. " Está frase é uma chamada a reflexão, tirei da abertura do Livro "Mundo de Sofia" de JOSTEIN GAARDER, o livro em si merece um post proprio, hoje trato apenas da citação. Que raios é esse negócio de homem de três mil anos? Todos nós somos muito mais que está carne que nos dá a vida, e não estou falando de alma, estou falando de cultura, de tradição e tecnologia, somos fruto de uma sociedade que vêem se construindo, aos trancos e barrancos, a pelomenos três milênios.  Quem não entende isso é de fato vive na maior das trevas, as trevas da ignorância. Um poema que vejo cair como uma luva, e explicar tudo isso melhor que eu,  é do fantástico  Mario Quintana : "Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas. Aquele homem ali no balcão, caninha ap...