O Estrangeiro de Albert Camus

  • on 06/06/2010

  • The Cure-Killing An Arab)
    Albert Camus(1913-1960) foi um escritor, jornalista, dramaturgo e filósofo argelino. Oriundo de uma família pobre, Camus perdeu seu pai com 1 ano de idade e quase não completou sua educação para ajudar sua família trabalhando como tanoeiro. Camus, além de por um tempo militante do Partido Comunista, foi, junto com Sartre, um dos principais intelectuais engajados na resistência francesa ao domínio nazista, caracterizada no trabalho A Peste.
    Usando como seu principal instrumento o absurdo, sua obra caracteriza a vida humana como uma existência absurda e sem sentido, cabendo a nós dar o seu sentido, o que permite caracterizar sua obra como se não existencialista, classificação que ele rejeitou, pelo menos como muito semelhante ao existencialismo.          
    "Hoje, minha mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo:'Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.' Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem". Com este sinistro parágrafo, começa a narração de Meursault, jovem argelino desiludido que encara a totalidade dos fatos; incluso a morte de sua mãe, citada no começo do livro; com apatia e niilismo. Niilismo esse que o faz se envolver com Maria, a garota que sorri e com Raimundo Sintès, jovem impetuoso que tem como amante uma   jovem árabe, que espanca e enxota, provocando no irmão desta um desejo de vingança. Um dia, na casa de praia de um amigo com Raimundo e Maria, este árabe aparece seguido de dois comparsas. Acontece um conflito e Raimundo se fere. Posteriormente, Meursault sai para andar na praia e encontra com um dos árabes que assassina no meio de um delírio. Então ele é preso e aguarda o seu julgamento.
     Mesmo Camus negando a classificação existencialista, neste livro ela é evidente. As pessoas são retratadas como seres perdidos que; ou mergulham num sentimentalismo(no caso do enterro) e que forçam os outros a mergulhar, o que é reforçado com o tribunal que se ocupa mais com os sentimentos de Meursault em relação à morte da mãe do que com a morte efetiva do árabe, colocada como um fato menor(mais um exemplo da veia existencialista do livro); ou se escondem dessa falta de sentido sendo cruéis como Raimundo e o velho cuja existência só era justificada pelo cuidado de um cachorro que maltratava ou sorrindo, como no caso de Maria e o capelão da cadeia.
    Trecho do Livro(Meursault está no banco dos réus sendo julgado pelo assassinato do árabe):                                                                            
    "À tarde, os grandes ventiladores continuavam a agitar a atmosfera espessa da sala, como os leques multicolores do jurados continuavam a ser abanados na mesma direção. O discurso do meu advogado parecia não ter fim. Num momento dado, no entanto, ouvi-o dizer: - É certo que matei. - Depois prosseguiu no mesmo tom, dizendo 'eu', cada vez que falava de mim. Eu estava muito admirado. Debrucei-me para um dos policiais e perguntei-lhe por quê. Mandou-me calar a boca e, instantes depois, acrescentou: -Todos os advogados fazem o mesmo. -Mas a mim parecia-me que isso era afastar-me ainda um pouco mais do caso, reduzir-me a zero e, de um certo ponto de vista, substituir-se à minha pessoa."
                                   
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